"Boa noite". Assim começava o script que escrevia após assistir ao Jornal Nacional com meu pai. Tinha oito anos e gostava do lance de apresentar as notícias na TV. Guardava então as informações que o Cid Moreira falava e depois escrevia num papel qualquer. Sentava de frente para a janela, com a mesa devidamente posicionada para o "meu JN", e então lia para a câmera imaginária.
"Boa noite, esses são os destaques de hoje", e blá blá blá. Desde os oito tinha escolhido minha profissão. Tinha uma vaga ideia, é verdade, do que era ser jornalista. Mas já sabia que conhecer o máximo de tudo e contar a história depois era algo bacana de se fazer. Era ser intérprete do presente.
Nesta época não existia internet da forma como é hoje. E Eu não sabia que por trás da beleza de noticiar algo em dois minutos tinha uma batalha diária e exaustiva.
Hoje, embora nao tenha chegado nem perto de onde gostaria, continuo com o mesmo sonho. Escrevo esse texto não em papel, nem uso caneta ou um teclado comum. Digito em uma tela touch screen em um desses telefones que fazem de tudo, inclusive ligações.
Estou no aeroporto de Dublin, indo para Londres, onde vou fazer um curso na BBC. E foi por isso que lembrei dessa história toda. De como a vida pode ser curta. Em um momento você está em frente a um 386 e de repente tem o Google em suas mãos pelo acesso rápido do 3G.
Assim como a tecnologia molda o modo moderno de viver, as escolhas transformam vontade em conquistas. Nem que seja um passo pequeno após o outro. Voltar a ser um garoto de oito anos às vezes faz bem. E a importância de persistir em um sonho parece não ser apenas um direito, mas um dever de cada um nós.
3 comentários:
Grande Guilherme ! Seu texto me fez lembrar que eu tbem brincava com as ferramentas de meu pai e me achava um técnico de caixas registradoras... hoje sou eu quem toma conta da empresa... sonhos... vale a pena persistir, vale muito a pena ! Boa viagem !! Bom proveito !! Abçs. Rogerio Moralles (hexa-tricolor)
Matando a velha profis de orgulho sempre!
Há muito não escrevia. Senti falta dos seus textos. Sempre os acompanhava e sempre gostei muito do que li. Continue inspirando-se.
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