
Foram precisos cinco candidaturas para chegar à presidência. Chegou e está deixando o mandato com quase 80% de avaliação positiva. Colhe os louros de uma popularidade conquistada com forte política assistencialista, prestígio internacional devido a uma intensa e polêmica política externa, além de acertos que trouxeram desenvolvimento ao Brasil em um momento favorável do ponto de vista econômico.
Sai o “filho do Brasil” e quem entra? Pelo merecimento de tentativas, deveria ser Serra. Pelas propostas, coerentes e relevantes à atual problemática socioambiental, Marina Silva. Pelo continuísmo e para os que estão totalmente satisfeitos, Dilma. Três opções.
Manchetes ora exaltam o recorde de empregos, ora retorna os brasileiros ao mundo real, da economia real, do universo paralelo do tráfico de drogas, da corrupção, dos ainda presentes problemas de saneamento básico, dos hospitais que não suportam a demanda.
Educação não prospera, diz outra reportagem. Mas isso não torna esse texto crítico ao governo atual. A reflexão é que com os problemas cotidianos, tangíveis, as campanhas políticas se atêm justamente ao irreal. A filosofia do “cola em mim que você brilha” está sendo utilizada como nunca. Até opositor utiliza a figura forte do presidente atual em propaganda.
A tentativa de criar uma imagem que irá resolver tudo evidencia a dificuldade que é chegar ao Planalto. Os valores gastos em campanha eleitoral esclarecem que a vontade de governar é grande. Já que se investe tanto para ter o prestígio de comandar um país. Porque ver o Brasil melhor deve ser a recompensa, uma vez que nenhum candidato disse se quer uma vez que o poder e a abrupta ascensão financeira são igualmente forças motrizes para a candidatura.
O candidato mais bem humorado dessa disputa, Plínio Sampaio, disse no último debate que o governo sempre vai seguir o sistema do capital. O que todo mundo sabe, mas nunca ninguém disse tão abertamente.
Apesar do brasileiro sempre driblar as dificuldades com maestria, possui tanta esperança quanto comodismo. O voto no próximo domingo (3) define o futuro, é verdade.
Mas a boa notícia é que essa escolha no entanto não é tão crucial assim. Pelo menos na voz de um especialista em economia: Ricardo Amorim. O integrante da bancada do programa Manhattan Connection, do canal GNT, esteve em Campo Grande e foi um dos palestrantes da ExpoMS, no mês de agosto.
E foi direto ao ponto. Segundo Amorim, ganhe Dilma ou ganhe Serra, já que os dois lideram as pesquisas, o Brasil não para mais.
O economista trocou o emprego de diretor executivo para mercados emergentes do banco WestLB, em Nova York, para trabalhar em São Paulo.
Isso tem um bom significado. Confirma que a aposta dessa vez é grande. E grande também será o número de vencedores. É torcer pra dar certo e trabalhar pra merecer.