Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

Na Terra do Nunca os meninos também morrem


Escrevi o título primeiro que o texto. Coisa que nunca faço. E parei por aí. Pensei ser melhor pedir a colaboração de um amigo que sempre escreve sobre música. Pois aí está o texto de Sérgio Barros. Algumas palavras sobre o artista que conseguiu ir do nível mais alto do talento e da fama ao poço mais fundo da bizarrice e estupidez.

Por Sérgio Barros

Avenida Paulista, três da tarde. O céu estava cinza, era uma daquelas tardes nostálgicas que só São Paulo pode oferecer. Ventava frio, mas isso não fez o paulistano ficar em casa, todas as tribos urbanas estavam caminhando depressa pelas ruas.

Eu andava tranquilo em direção ao prédio da Gazeta, quando avistei um aglomerado imenso de pessoas paradas em uma esquina. Comentei com uma amiga – deve ser o homem da cobra. Mas o adestrador de ofídios não tem carisma o suficiente para reunir aquela quantidade de curiosos. Chegando mais próximo à turba, percebi que estavam cantando uma música de um ídolo que partiu essa semana, a canção era “Heal The World”.

Acho o título dessa música um tanto pretensiosa, mas opiniões à parte, essa era a homenagem dos fãs paulistanos ao seu ídolo recém falecido, e duraram horas; alguns fãs até passaram mal e foram levados por ambulâncias.

Acredito que os verdadeiros ídolos são seres iluminados, que nascem de tempos em tempos, fazem uma revolução, mudam conceitos, impõem seu estilo e partem prematuramente sem se despedir. Também acredito que são pessoas com terríveis conflitos internos, e parte de sua grande genialidade vem de saber usar esses problemas como inspiração, o que toca profundamente as pessoas.

Com esse fenômeno não foi diferente. Teve uma vida familiar difícil, encontrou muitas barreiras no início de sua carreira, enfrentou “demônios interiores” e mesmo assim teve uma ascensão meteórica ao sucesso.

Sua morte deixou o mundo da música mais pobre e sem graça. Nosso rei do pop se foi e se existe um céu, lá ele deve estar. Animando todos com aquela voz de menino rebelde que encanta. Negro como nasceu e orgulhoso por ser dessa cor.

Sérgio Barros escreve em >> ermeticamentefechado.wordpress.com

Segunda-feira, 15 de Junho de 2009

A chuva e o wireless

Chovia como de costume. Não era Inglaterra mas a expressão foi utilizada assim mesmo. “It’s raining cats and dogs”. Ingleses falam isso quando chove muito. Embora tenha explicação mitológica para tal frase, uma razoável teoria seria que os gatos e os cachorros, dormindo, caíam dos telhados porque o mesmo se tornara escorregadio.

No entanto, aqui na Irlanda, na verdade, não são esses animais que intensificam a imagem da chuva que cai sem parar. Mas os ventos, que fazem molhar tanto de cima para baixo, quanto de baixo para cima e, claro, pelos lados. É um malabarismo aquático. Manobras líquidas. Umidade em abundância e guarda-chuvas quebrados.

O vento destrói o único defensor do estado seco. Quer dizer, a capa de chuva existe também, mas o guarda-chuva ainda é o preferido. E o meu nesse momento que escrevo, ainda inteiro, descança no canto do quarto. Eu ia dizendo que estava chovendo como de costume porque ouvia a chuva lá fora e olhava a bendita e indispensável umbrella. E me distraí e não falei o que queria.

Tentava usar uma conexão wireless vizinha. Pegar emprestado só. Mas não consegui. Já é madrugada e sem internet é melhor dormir. Eu ia falar disso, do número de pessoas que devem usar a internet dos outros. É literalmente uma inclusão digital os dias de hoje. E nem deve ser crime usar a rede sem fio alheia, acho. Afinal eles não colocaram senha. Caracteriza um furto talvez? Acho que não. Não dá pra comparar com uma bicicleta que está na rua sem corrente e cadeado e por isso você a utiliza para ir aonde bem entender. De qualquer maneira, eu não furtei nada. Todas pediam senha. Vou aproveitar a chuva que ainda cai para dormir. Amanhã irei a uma loja comprar um modem que terá, depois de instalado, uma senha também.

obs.: Felizmente já tenho uma broadband. O texto acima foi escrito há algum tempo.

Terça-feira, 26 de Maio de 2009

"Mais que uma bebida, uma cultura"

A pedido da revista Wave escrevi a matéria “Mais que uma bebida, uma cultura”, publicada na edição número 2. A cada edição um correspondente internacional recebe o convite para colaborar com a publicação. A idéia é escrever sobre o país onde ele mora, mas a pauta é livre.

Retratar a cultura da Irlanda, dos pubs regados a cerveja e muita música, não foi tarefa chata, tenho que confessar. Após muitas festas e conversas com as pessoas daqui já tinha informação suficiente para o texto. Depois do convite da revista, dediquei a noite de uma sexta-feira e um sábado para realizar as entrevistas e tirar algumas fotos. O resultado pode ser visto no site da Wave.

Clique aqui e leia online. Ao ver a capa, arrate com o mouse para a esquerda até a página 24 e 25. Aproveite depois para ler o resto da revista. Ótimos textos e design impecável. Espero que gostem.


Sexta-feira, 1 de Maio de 2009

Irresponsabilidade


Épocas de vacas magras. Mesmo assim optei por ser irresponsável. Por um tempo, pelo menos. Quem deveria tomar conta do mundo não o faz. Ou faz bem mal feito. O Irã mostrou sua bomba nuclear. A China está cotada para ser uma superpotência na próxima década mesmo violando os direitos humanos e a liberdade de expressão. Não precisa ser exemplo, basta para o mundo que eles tenham mão-de-obra barata e sejam um voraz importador.

Especialistas afirmam que a crise econômica atual é ou pode ser pior que ao ''Big Crash'', em 1929. Péssimas notícias. Ah! Tem mais. Nem uma novidade mas o Ronaldinho foi parar no Corinthians. Bota péssimo nisso.

"Tudo dá certo no final. Se não der é porque não chegou o final ainda". Hehe. Essa é boa. Se seguirmos o best-seller "O Segredo" basta acreditar que acontece. Então não preocupem. Se as contas estão mais altas que o seu salário, segure as notas em uma mão e as faturas na outra. Feche os olhos e pense num enorme sinal de +. É pensar positivo. A seguir, confira se o extrato bancário mudou os menos para mais. Não? Então não é o final ainda. Haha.

Ser irresponsável é não pensar no futuro. Já nos apresentaram soluções inteligentes para nosso ambiente. Sustentabilidade. Um mundo verde hoje em dia. Mas as previsões no entanto não são nada animadoras. É muita gente comendo. Muito lixo. Muito carro. Muita coisa errada. É de ficar maluco. Essa causa merecia mais.

Deixem de ler a parte de economia dos jornais por um período. Leiam crônicas, no lugar (lê-se MeioCheio). Nada de preocupar com uma recessão que faz países ricos aprovarem da noite para o dia a liberação de verbas a banqueiros 'falidos'. Montante que encheria a barriga de muita gente na África, Ásia e América Latina. Os Bancos são as crianças que fizeram a bagunça. Agora nós, os pais, temos que arrumar tudo. Eu sei que as coisas não funcionam assim, simplesmente mandando o dinheiro para quem realmente precisa, salvando vidas e não para preservar a fortuna de alguns. Economia. Só entende quem fala Economês.

Não a protestos. Não a greves. Não a depressão, muito menos ao suicídio. Só não sejamos radicais ao extremo em um sentido apenas. Como Pedro Bial já advertiu, use filtro solar.

Terça-feira, 14 de Abril de 2009

Nostalgia

Saudade. Quantas vezes a sentimos? Tantas formas diferentes. Porque a vida muda. Nada se repete. O tempo se esgota. O dia acaba. Momentos que nunca voltam. Assim como a famosa novela, em minha família éramos seis. Hoje, somos quatro.

Memória boa, mas que dói ao mesmo tempo, é a lembrança dos almoços aos domingos. Mesa cheia. Família unida. Conversas que duravam horas. Nada parecia mais confortável que ser criança, conduzido pelos pais, seguindo a regra de estar presente à mesa minutos antes da refeição ser servida.

Se algum dos filhos perguntasse o que estavam cozinhando, antes que minha mãe respondesse, meu pai se adiantava e apenas emitia o som: "Arrãm". Não dizia mais nada. Era sempre assim. Descobria-se só no prato.

Nunca será a mesma coisa. O que não exclui a possibilidade de continuar a vida. Sorrindo, sempre. Quem ficou, faz dela ainda especial. E se a parte ruim é viver sem a felicidade 100% completa, a boa é que posso dar conselhos. Todos podem. Todos que passaram por perdas.

Procure estar mais próximo de seus pais e irmãos. Porque embora nos acostumemos rápido demais com a família, lembre-se que os dias não costumam retornar.