
Avenida Paulista, três da tarde. O céu estava cinza, era uma daquelas tardes nostálgicas que só São Paulo pode oferecer. Ventava frio, mas isso não fez o paulistano ficar em casa, todas as tribos urbanas estavam caminhando depressa pelas ruas.
Eu andava tranquilo em direção ao prédio da Gazeta, quando avistei um aglomerado imenso de pessoas paradas em uma esquina. Comentei com uma amiga – deve ser o homem da cobra. Mas o adestrador de ofídios não tem carisma o suficiente para reunir aquela quantidade de curiosos. Chegando mais próximo à turba, percebi que estavam cantando uma música de um ídolo que partiu essa semana, a canção era “Heal The World”.
Acho o título dessa música um tanto pretensiosa, mas opiniões à parte, essa era a homenagem dos fãs paulistanos ao seu ídolo recém falecido, e duraram horas; alguns fãs até passaram mal e foram levados por ambulâncias.
Acredito que os verdadeiros ídolos são seres iluminados, que nascem de tempos em tempos, fazem uma revolução, mudam conceitos, impõem seu estilo e partem prematuramente sem se despedir. Também acredito que são pessoas com terríveis conflitos internos, e parte de sua grande genialidade vem de saber usar esses problemas como inspiração, o que toca profundamente as pessoas.
Com esse fenômeno não foi diferente. Teve uma vida familiar difícil, encontrou muitas barreiras no início de sua carreira, enfrentou “demônios interiores” e mesmo assim teve uma ascensão meteórica ao sucesso.
Sua morte deixou o mundo da música mais pobre e sem graça. Nosso rei do pop se foi e se existe um céu, lá ele deve estar. Animando todos com aquela voz de menino rebelde que encanta. Negro como nasceu e orgulhoso por ser dessa cor.
Sérgio Barros escreve em >> ermeticamentefechado.wordpress.com






