domingo, 25 de dezembro de 2011

“Insignificantes” moedas


Luzes de natal enfeitam as ruas frias de dezembro. Mas logo ali embaixo, no canto, na esquina, o cenário fica feio, perde a graça. Se ouve um barulho. São moedas sendo remexidas em um copo descartável. A visão de baixo alcança apenas a parte das pernas de quem passa. Passos que vem do nada, trazendo o toque toque do salto em um ritmo cadenciado, aumentando o volume até que se apresenta à frente e depois se vai na medida inversa.

Nessa época o copo enche mais rápido. Ou pelo menos os olhares deixam o reto e mudam de direção com mais frequência. Chama a atenção pedir nestes dias.

Sem sorriso e sem desejo, a sensações são frio, fome e desilusão. Existem, porém, roupas ao lado. Muitas delas nas vitrines em promoção. O cheiro de comida é da lanchonete fast-food que mesmo de portas abertas não deixa qualquer um entrar. Esperança é palavra sem sentido agora. Existe apenas na feição dos que passam em frente, nas duas direções. Ela escapa por que vem e vai depressa demais.

A sua ambição é quase nula. Algumas moedas, bebida, cigarro. Se der, come. Mas ficar lúcido nessa realidade é loucura. Os que conseguem, já vivem no seu próprio mundo.

Assim passam as vinte e quatro horas de vivência em um vazio. Dias preenchidos com absolutamente nada. Onde o seu tudo é na verdade conseguido com muito pouco. Doses de compaixão por meio do troco daqueles que se importam em dividir as migalhas da sobra.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

A importância de persistir em um sonho


"Boa noite". Assim começava o script que escrevia após assistir ao Jornal Nacional com meu pai. Tinha oito anos e gostava do lance de apresentar as notícias na TV. Guardava então as informações que o Cid Moreira falava e depois escrevia num papel qualquer. Sentava de frente para a janela, com a mesa devidamente posicionada para o "meu JN", e então lia para a câmera imaginária.

"Boa noite, esses são os destaques de hoje", e blá blá blá. Desde os oito tinha escolhido minha profissão. Tinha uma vaga ideia, é verdade, do que era ser jornalista. Mas sabia que conhecer o máximo de tudo e contar a história depois era algo bacana de se fazer. Era ser intérprete do presente.

Nesta época não existia internet da forma como é hoje. E Eu não sabia que por trás da beleza de noticiar algo em dois minutos tinha uma batalha diária e exaustiva.

Hoje, embora nao tenha chegado nem perto de onde gostaria, continuo com o mesmo sonho. Escrevo esse texto não em papel, nem uso caneta ou um teclado comum. Digito em uma tela touch screen em um desses telefones que fazem de tudo, inclusive ligações.

Estou no aeroporto de Dublin, indo para Londres, onde vou fazer um curso na BBC. E foi por isso que lembrei dessa história toda. De como a vida pode ser curta. Em um momento você está em frente a um 386 e de repente tem o Google em suas mãos pelo acesso rápido do 3G.

Assim como a tecnologia molda o modo moderno de viver, as escolhas transformam vontade em conquistas. Nem que seja um passo pequeno após o outro. Voltar a ser um garoto de oito anos às vezes faz bem. E a importância de persistir em um sonho parece não ser apenas um direito, mas um dever de cada um nós.

sábado, 21 de maio de 2011

Prazeres da vida

Tem gente que é feliz com pouco. Na verdade não são poucas as coisas que os agradam. O certo é que a felicidade é encontrada facilmente, com o que tiver. A pessoa percebe isso quando anda a pé, com algum dinheiro no bolso, resistente às adversidades e ainda com um sorriso no rosto. O pouco se resume, obviamente, a algumas coisas. Que além de essenciais, são sobretudo suficientes.

Seriam prazeres comuns? Ou amor pelas pessoas ao redor?

E se todos vivessem racionalmente? Sim porque dizem que não podemos comer açúcar. Deve-se cortar a gordura. Tão pouco abusar do álcool. Então para que nada saia errado é preciso disciplina. Dispensar o prazer. Viver na certeza e estender o futuro.

Mas o presente bate em todos e alivia na mesma medida. Os que veem pessoas que não fumam com problemas no pulmão e quem sempre preferiu peixe a carne vermelha tendo um infarto também ficam descrentes. Colocam a culpa no acaso e na seleção natural.

Os extraterrestres, se é que existem da forma como imaginamos, são assim não são? Não dão a mínima para a aparência. Desenvolvem o cérebro. Fazem só o certo. Frios, vivem por viver, digamos.

Voltando à Terra, aos mortais e normais. Viver inclui prazeres que não são saudáveis, isso é fato. Uma criança adora desde cedo um copinho de refrigerante. Claro, vem uma paulada de açúcar num gole só. Os costumes da culinária então nem se fala. É muita graxa. Coisa que dá textura à comida. Dá sabor. Dá graça. Manteiga, carnes, vinhos, cervejas, queijos. Isso é viver. É ter prazer ao fazer as coisas.

Mas balancear está na moda também. E levando em consideração que ter as pessoas aqui, em carne e osso, seja um bem mais que precioso, aquele ditado sobre a liberdade das pessoas serve como inspiração. Adaptado, fica assim: O prazer de uma coisa termina quando se põe em risco outro prazer ainda maior.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Vários momentos, inúmeras pessoas, um só aeroporto

Um homem, sessenta e poucos anos, se aproxima de mesas onde algumas pessoas comem. Rosto sério, vestia short xadrez, casaco cinza desbotado e calçava tênis coloridos, daqueles que parecem sapatilhas de ciclistas. E claro, carregava consigo uma solidão escancarada. Vista pela feição brava. Confirmada com uma pergunta seca: “Esta cadeira está livre?”. E consumada com um gesto sóbrio, uma demonstração de um ato de sobrevivência num mundo grande, cheio de gente, encarado por um só, sozinho nesse mesmo mundo. O gesto foi colocar a cadeira entre as barras de ferro do carrinho, onde descansava uma pequena mala e um par de calças para que ninguém se sentasse à mesa vazia, enquanto o homem buscava um café e algo para comer. Sim, eu também ainda não tinha visto alguém viajar carregando nas mãos uma calça. Mas conforto e sensação de frio são diferentes para cada indivíduo, não é mesmo?

*

Impressionante como as pessoas que carregam muita bagagem apenas sofrem com o excesso. Talvez até não seja considerado pelas companhias, mas está acima das necessidades destas criaturas. É algo claro. A pessoa empurra com demasiado esforço um carrinho com malas, sacolas, mochilas. Certo de que nem todos estão de mudança definitiva, dá para constatar que o apego às coisas está materializado ali; alguém que precisa levar tudo para todo lugar. Ninguém pode ser feliz carregando nas costas o peso do materialismo. Ela não é nada, sem os pertences. Sozinha, está perdida.

Na outra mão vemos homens alegres. Mulheres decididas. Todos portando apenas uma bagagem pequena e outra peça como mochila ou bolsa. São felizes porque não depositam a sorte em roupas, acessórios, objetos. A leitura disso é que esses vão e voltam com aquilo que realmente precisam. Possuem um lugar próprio, mas estão soltos para desvendar o que ainda é desconhecido a cada um.

*

Dois amigos dividem uma mini garrafa de vinho, em copos de plástico. Discutem sobre um terceiro amigo, que mora longe, trabalha muito e é bem considerado por eles. A conversa é interrompida por um garoto. Ele carrega nas mãos uma caixa de madeira e na boca, frases corretas e devidamente ensaiadas. Ele é engraxate. Ganha a vida no aeroporto de Guarulhos e sua renda mensal certamente nunca lhe proporcionará avançar pelos portões de check-in internacionais.

Ele então começa sua propaganda. Pede para lustrar o sapato de um dos homens. Que recusa. O menino rebate com algo um tanto mais persuasivo. Recebe a segunda negativa. Incrementa com algumas palavras de efeito, sem grandes chances de ter sucesso. E é o que acontece. O possível cliente não só dispensa o serviço como mostra os sapatos limpos dizendo que já estão brilhosos. O garoto não se abate. A quarta e última tentativa vem acompanhado de um sorriso forçado, necessário à ocasião, um sorriso triste, porque essa contradição existe, e muito.

E com esse sorriso então o moleque lança. “Eu te garanto que deixo ainda melhor”. Conquista. Assim que consegue o assentimento, se joga de joelhos no chão. Abre a caixa de madeira e tira duas luvas cirúrgicas. Mal coloca na primeira mão e seu, agora sim cliente, pergunta o porque daquilo tudo. O menino diz que é para não sujar as mãos. O homem, brincando, porém com aquela superioridade que geralmente existe entre alguém que possui grana suficiente para ter dignidade e outro que, justamente por falta de dinheiro, vive à margem de qualquer direito, fala ao garoto. “Na minha época não se usava isso não”. “A luva é só para não sujar as mãos senhor”, repete o garoto

Sem mais, abraça uma das pernas do homem, inicia o engraxe, numa velocidade boa e com muito entusiasmo. O esforço esquenta o corpo e o faz tirar o casaco. E a destreza revela que, apesar de ainda criança, faz isso já há um bom tempo.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Mesmo com perna curta, na internet a mentira vai longe

Este texto é uma homenagem ao dia da mentira, mas serve para todos os outros. Fala das inverdades que estão no mundo da web. Nesse oceano de dados, existe muito lixo boiando. Ilhas desertas com uma ou outra coisa que salva. Corais de pura informação escondidos na imensidão. Cardumes de dois tipos: os de conhecimento e os, digamos, inúteis. E mentira, muita mentira.

Jornalistas precisam separar o atum da sardinha. Toda informação deve ser apurada, checada. Buscamos a veracidade do fato antes de divulgá-lo. É um hábito, uma obrigação. Mesmo assim, às vezes compramos uma versão mentirosa de um assunto qualquer.

Assim são as demais pessoas que não trabalham nesta área. Muita gente recebe e-mails fraudados. Lêem notícias construídas, estórias inventadas. Não procuram se certificar, se enganam e repassam aquilo como uma verdade. Mas mesmo não sendo um dever, qualquer pessoa precisa aprender a fazer essa distinção, já que se fala tanto da era da informação; onde boa parte dela está misturada nesse oceano.

Para muitos, nesse horizonte azul todo caminho é caminho. Mas um simples sopro do vento ou a leitura das estrelas mostra ao bom marinheiro a direção mais correta. Saber de tudo é impossível. Ocupar espaço com algo duvidoso é portando um pecado. Não acreditar em tudo que se lê na internet é um desafio. É como história de pescador: duvide sempre.

Mesmo com perna curta, na internet a mentira vai longe. Mesmo porque nesse ambiente ela não anda. Ela nada de braçada.

Publicado também no site Tanaweb

quarta-feira, 23 de março de 2011

Criatividade também ajuda

Comunicar é uma arte, mas precisa de teoria. Talento é necessário, mas o objetivo segue um protocolo, uma linha de raciocínio. Em uma peça publicitária, por exemplo, a informação é dirigida a um público alvo. Informação clara e objetiva. Feito isso, toda criatividade é bem vinda, quando tem significado, quando agrega valor.

Prender a atenção de alguém, sobretudo em meio a esse turbilhão de imagens, não é nada fácil. Obstáculo para quem trabalha com o design gráfico. Mas nessa área é fácil também se surpreender. Quem gosta, sabe que o limite está lá em cima, se é que ele existe.

É possível criar em cima inclusive de temas trágicos. A imaginação pega o assunto e o transforma em uma imagem bonita, provocadora, chamativa. E é esse o trabalho de alguns designers exposto no Blog, ou diário visual como a própria autora descreve, The Obssesive Imagist.

São posters que utilizam o círculo vermelho da bandeira japonesa como ponto de partida. Os cartazes estão à venda e o dinheiro é 100% destinado aos japoneses nesse momento difícil. A brincadeira com um elemento da bandeira do País associado a efeitos que denotam um terremoto é uma sacada. Até assunto sério fica bem humorado nesse campo. Prova de que a criatividade também ajuda.

Publicado também no site Tanaweb

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Histórias diárias


Leio livro de Ricardo Kotscho, jornalista que ficou famoso por priorizar uma cobertura mais humana. Penetrava no acontecimento pelos chamados sides ou histórias paralelas, que ajudam a entender o principal.

O caso mais conhecido foi a cobertura de uma visita do presidente Costa e Silva a São Paulo. Sem ter acesso ao palácio, Kotscho decidiu conversar com quem estava nas redondezas. E entrevistou um pipoqueiro que lhe rendeu uma boa reportagem.

"Enquanto todo mundo corria para um lado, em cima dos protagonistas das matérias, eu caminhava para o lado oposto, pegando o lado dos coadjuvantes, dos figurantes, dos anônimos que só ajudam a compor o cenário", escreveu.

Jornalismo pode ser feito de várias maneiras. Por telefone é o mais fácil, mas o pior deles. Vivenciar um fato com certeza traz riquezas de detalhes e possibilita descobertas. Ganha quem recebe a notícia.

Mas com tantas agências de notícias e milhões de sites com gente de todo o tipo agindo e vivendo como se fossem comunicadores profissionais, furos estão cada vez mais raros. A Rede Globo quando dá os dela, é execrada no dia seguinte. São insultos a Cérsar Tralli, que teria acesso privilegiado no caso Isabela Nardoni, ou, ainda mais antiga, na prisão de Paulo Maluf, só para exemplificar.

Uns criticam, mas caso não houvesse essa prática, como garantir o furo? Como se manter no topo sem oferecer algo inédito, de qualidade? Optar por essas artimanhas passa a ser inevitável ou há perdas para a concorrência. Não é o caso de culpar ou inocentar, mas ler as linhas sem os parênteses da hipocrisia e extinguir a inocência que não cabe no processo capitalista.

O problema exposto não é exatamente esse. Mas o fato de que com excesso de informações instantâneas e iguais, o lado humano retorna como diferencial. A reportagem detalhada e aprofundada de um tema apenas. Informação sólida e construtiva.

O furo a todo custo viria naturalmente, talvez. E é certo que a competência fica comprometida quando aliada a métodos não convencionais, ou ainda mais claro, quando se lança mão de influência.

Fatos cotidianos precisam ser noticiados. Mas precisamos mesmo saber de tudo, de uma vez só?

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Não mude uma vírgula do que escrevi

A vírgula é algo fantástico. Um texto sem o seu uso correto fica sem sentido. Ela dá a pausa necessária. Ela permite o aposto. Elementos que não tirariam o sentido da frase têm o direito de permanecer entre vírgulas.

A bola é passada ao ponto e vírgula apenas quando a pausa é mais longa. Porque ela faz o que é apenas de sua competência. Não se permite desviar o foco para atender o que não lhe diz respeito.

A vírgula muda também sentidos de uma única frase. Depende de onde é empregada. Diz a lenda que de tão poderosa foi até duplicada e invertida para então demonstrar que o que estava entre elas era a fala de alguém. Mas não há aspas confirmando isso.

Perde força apenas quando a figura de linguagem polissíndeto entra em cena: Ela olhou e veio e beijou e depois sorriu e assim se foi.

A vírgula é tão necessária para um texto quanto simples pensamentos expressados claramente. Tão básica quanto a estrutura sujeito-verbo-objeto. Não seria possível escrever sem ela, concorda?

sábado, 16 de outubro de 2010

Cabeças iguais, cérebros de diferentes tamanhos

Um velho escritor sofre com aquilo que mais lhe dava prazer. Não consegue mais criar as amarras para as tramas que escreve. Sempre atrelado a uma Editora, se vê na dependência de publicar pelo menos um livro por ano. O contrato é claro e ele precisa do dinheiro.

Começar não é o problema. Mas lá pelas tantas, precisa fazer o que não quer. Procura nos livros que mais gosta frases prontas para seus personagens. Busca nos autores que admira inspiração para as ideias que já não aparecem mais.

O plágio faz parte e toma conta de sua vida. Até para escrever um cartão para esposa ele recorre à outra fonte. A confiança diminui na mesma proporção em que as cópias aumentam.

Já deprimido, mal sabe esse pobre escritor que outros autores fazem o mesmo. Copiam inclusive as coisas que ele próprio escreveu. Uma mistura de plágios que criam, uma a uma, novos originais.

Pesquisas científicas na qual os dados são modificados conforme o estudo, mas a essência permanece; como em um cartório, em que uma procuração tem partes modificadas, de acordo com os dados de quem a requere.

Pouca coisa foi criada. O resto se copiou. Pode até dizer o ditado que na verdade se transformou. Mas a verdade é que não existe verdade. Existem versões bem e mal contadas. Mistérios ocultos em frases com ordens trocadas de mesmo conteúdo. Um mundo onde a cópia se faz necessário quando se tem cabeças iguais com cérebros de diferentes tamanhos.

sábado, 2 de outubro de 2010

O Brasil que não para mais


Foram precisos cinco candidaturas para chegar à presidência. Chegou e está deixando o mandato com quase 80% de avaliação positiva. Colhe os louros de uma popularidade conquistada com forte política assistencialista, prestígio internacional devido a uma intensa e polêmica política externa, além de acertos que trouxeram desenvolvimento ao Brasil em um momento favorável do ponto de vista econômico.

Sai o “filho do Brasil” e quem entra? Pelo merecimento de tentativas, deveria ser Serra. Pelas propostas, coerentes e relevantes à atual problemática socioambiental, Marina Silva. Pelo continuísmo e para os que estão totalmente satisfeitos, Dilma. Três opções.

Manchetes ora exaltam o recorde de empregos, ora retorna os brasileiros ao mundo real, da economia real, do universo paralelo do tráfico de drogas, da corrupção, dos ainda presentes problemas de saneamento básico, dos hospitais que não suportam a demanda.

Educação não prospera, diz outra reportagem. Mas isso não torna esse texto crítico ao governo atual. A reflexão é que com os problemas cotidianos, tangíveis, as campanhas políticas se atêm justamente ao irreal. A filosofia do “cola em mim que você brilha” está sendo utilizada como nunca. Até opositor utiliza a figura forte do presidente atual em propaganda.

A tentativa de criar uma imagem que irá resolver tudo evidencia a dificuldade que é chegar ao Planalto. Os valores gastos em campanha eleitoral esclarecem que a vontade de governar é grande. Já que se investe tanto para ter o prestígio de comandar um país. Porque ver o Brasil melhor deve ser a recompensa, uma vez que nenhum candidato disse se quer uma vez que o poder e a abrupta ascensão financeira são igualmente forças motrizes para a candidatura.

O candidato mais bem humorado dessa disputa, Plínio Sampaio, disse no último debate que o governo sempre vai seguir o sistema do capital. O que todo mundo sabe, mas nunca ninguém disse tão abertamente.

Apesar do brasileiro sempre driblar as dificuldades com maestria, possui tanta esperança quanto comodismo. O voto no próximo domingo (3) define o futuro, é verdade.

Mas a boa notícia é que essa escolha no entanto não é tão crucial assim. Pelo menos na voz de um especialista em economia: Ricardo Amorim. O integrante da bancada do programa Manhattan Connection, do canal GNT, esteve em Campo Grande e foi um dos palestrantes da ExpoMS, no mês de agosto.

E foi direto ao ponto. Segundo Amorim, ganhe Dilma ou ganhe Serra, já que os dois lideram as pesquisas, o Brasil não para mais.

O economista trocou o emprego de diretor executivo para mercados emergentes do banco WestLB, em Nova York, para trabalhar em São Paulo.

Isso tem um bom significado. Confirma que a aposta dessa vez é grande. E grande também será o número de vencedores. É torcer pra dar certo e trabalhar pra merecer.